Gado Pé-Duro vira patrimônio histórico cultural do Piauí

14.08.2009

Gado Curraleiro ou Pé-Duro preservado em São João do Piauí

O Governo do Estado, através de requerimento encaminhado pelo deputado estadual Marcelo Coelho para a Fundação Cultural do Piauí – FUNDAC, garantiu, por meio do decreto nº 13.765, o reconhecimento da raça de gado Pé-Duro, também conhecido gado curraleiro, como patrimônio histórico e cultural do Estado do Piauí por entender que resguardar e conservar a raça de gado mais antiga do Brasil e que foi decisiva para o povoamento do Nordeste brasileiro, especialmente, o do Piauí, é de fundamental importância patrimonial.

A assinatura do Decreto nº 13.765 em 20 de Julho de 2009 foi o primeiro passo legal para garantir que a raça de gado Pé-Duro não seja extinta, tendo o processo de registro sido aprovado, por unanimidade, pelo Conselho Estadual de Cultura. 
 
Segundo Patrícia Mendes, diretora da coordenação de Registro e Conservação da FUNDAC, o gado Pé-Duro tem um valor histórico e social para o estado: “A raça do gado Pé-Duro tem mais ou menos quinhentos anos de existência e o Piauí é um dos únicos lugares onde ainda existe esse tipo de raça. Fora que todo povoamento do Piauí aconteceu através do ciclo de gado. Assim, a gente teve a preocupação de fazer esse registro, exatamente para proteger essa raça de gado que é uma das mais importantes para se preservar”, ressaltou Patrícia Mendes.


Nesse processo de conservação da raça curraleira o papel da Embrapa Meio-Norte foi decisivo. Ainda na década de 80, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária implantou a Unidade Experimental “Octávio Domingues” em São João do Piauí, na zona do semi-árido, o Núcleo de Conservação da Raça Pé-Duro. Nesse núcleo, os animais são mantidos em condições o mais próximo possível daquelas em que a raça se formou, com o objetivo de manter sua rusticidade. Seu rebanho atual chega a quase 400 cabeças de gado.

A raça Pé-Duro, só não desapareceu completamente, devido à formação desse núcleo de preservação em São João do Piauí e ao trabalho patriótico de alguns criadores que mantiveram seus rebanhos e constituíram, em 1976, a Associação Brasileira de Criadores de Gado Pé-Duro – ABPD, com sede em Teresina, Piauí. A entidade conta com 32 associados, inclusive a Embrapa, abrangendo mais de 2000 animais.

Ainda segundo a coordenadora de Registro e Conservação da FUNDAC, Patrícia Mendes, o decreto encaminhado através da Fundação Cultural do Piauí assegura legalmente a importância do gado Pé-Duro para o estado, além de funcionar como um incentivo para que se procure fazer registros semelhantes no futuro, a exemplo da Cajuína, que em 2008 teve o modo artesanal de se produzir a bebida, reconhecido no âmbito estadual como relevante culturalmente para o Piauí.  

Características


Segundo informações da Associação Brasileira de Criadores de Gado Pé-Duro (ABPD), o Pé-Duro é um bovino dócil, rústico e resistente, completamente adaptado ao clima tropical, ao calor, à seca, às pastagens naturais do Nordeste, em especial, ao Semi-Árido com sua vegetação de caatinga. É também tolerante a temperaturas elevadas, a parasitas, e possivelmente a algumas plantas tóxicas da região, como o barbatimão (Stryphnodendron coriaceum) e à erva-de-rato (Palicourea marc gravii).

Importância histórico-cultural

Para alguns historiadores, as primeiras cabeças de gado bovino foram introduzidas na Bahia em 1535 por Tomé de Sousa, vindas, diretamente, da ilha de Cabo Verde. Esses animais eram trazidos juntos com os escravos e trocados por açúcar e outras mercadorias. Essas raças chamadas de Crioulas, nativas ou naturalizadas deram início ao povoamento dos campos naturais do Brasil, adaptando-se ao novo ambiente e formando grandes rebanhos que originaram diversas variedades, algumas das quais hoje já melhoradas.

A raça pé-duro é descendente dos bovinos trazidos pelos portugueses no período colonial. O Piauí chegou a possuir o maior rebanho bovino do País, tornando-se um grande exportador de carne para outras regiões brasileiras e de couro para a Europa. Simplício Dias, um notável empreendedor do século XVIII, na cidade de Parnaíba, PI, abatia cerca de 30 mil bois por ano e possuía uma frota própria de navios para transportar seus produtos. E o gado pé-duro era a base dessa pecuária. Daí a importância que esta raça tem na história, economia, tradição e folclore do Piauí e de outros estados.

Para outras informações sobre o registro do gado Pé-Duro como patrimônio do Estado do Piauí procurar a Coordenação de Registro e Conservação da FUNDAC no (86) 3226-2696.

Fonte: Processo de Declaração de Relevante Interesse Cultural da Raça de Gado Pé-Duro do Estado do Piauí – FUNDAÇÃO CULTURAL DO PIAUÍ – FUNDAC.

Por Catarina Santiago



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